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sexta-feira, 21 de março de 2014

Chuva


Vincent van Gogh (1853-1890), The Bridge in the Rain (after Hiroshige), 1887



Ando Hiroshige (1797-1858), Evening Shower at Atake and the Great Bridge, 1857



Há exatamente uma semana: contemplando a chuva pela vidraça da janela de uma biblioteca, enquanto folheava dois livros (Hokusai and Hiroshige e Japonisme: the Japanese influence on Western art since 1858). Quando saí do prédio da biblioteca, já era escuro. Vi o reflexo da luz amarela das lâmpadas de um café nas poças d'água ao longo do caminho até o portão que dava para a rua. Algumas pessoas conversavam. Acho que Van Gogh teria gostado disso.

Hoje: contemplando a chuva pelo vidro da janela do escritório, em companhia de C. (confortavelmente instalada em sua poltrona cor de goiaba) e ao som do Concerto para violino e orquestra, op. 61, de Beethoven.

Depois que vi, adolescente, essas duas imagens pela primeira vez, nunca mais as chuvas foram as mesmas. "Como pode a chuva ser tão bela?", devo ter me perguntado. Desde então, para mim, chuva virou sinônimo de beleza, de contemplação. Além de continuar me fazendo a pergunta, fico imaginando de onde Hiroshige viu a paisagem que imortalizou e que terminou por imortalizá-lo. Perguntas, sempre perguntas...

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