Páginas

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A memória do objeto



Cada objeto traz consigo uma história, um passado. Gosto de imaginar o lugar de onde veio o objeto, por onde passou, com quem esteve, como são seus dias. Em um primeiro momento, penso que sou eu que o escolhi dentre outros, mas, depois, começo a achar que foi ele quem me escolheu.

A xícara de café e o pires são as lembranças, materializadas em argila, de uma visita a um ceramista japonês logo depois do ano novo.

Os cadernos estavam ocultos pela sombra da parte de trás de uma prateleira da loja, até que os vi (ou eles me viram?).

O estojo, onde guardo meus lápis de desenho, me lembra um outro que tive na infância. A cor e o reflexo da luz no couro são idênticos. Pelo menos, é o que diz a memória.

O lenço foi presente de uma senhora japonesa que conheci há muitos anos. Ela esteve em Nova Iorque e disse que se lembrou de mim quando viu o lenço. A estampa é um desenho de William Morris, artista de quem eu não sabia que iria gostar um dia.

Um comentário:

Carlos Medeiros disse...

Mesmo objetos de épocas que não vivi, parecem que quase me fazem vir algo a mente. Fiquei com vontade de ler Proust, embora tem um (faz parte do em busca do tempo perdido), que tento ler há uns 25 anos, sempre paro no meio do caminho. Uma hora chego lá. Abraços.