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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A memória do objeto



Cada objeto traz consigo uma história, um passado. Gosto de imaginar o lugar de onde veio o objeto, por onde passou, com quem esteve, como são seus dias. Em um primeiro momento, penso que sou eu que o escolhi dentre outros, mas, depois, começo a achar que foi ele quem me escolheu.

A xícara de café e o pires são as lembranças, materializadas em argila, de uma visita a um ceramista japonês logo depois do ano novo.

Os cadernos estavam ocultos pela sombra da parte de trás de uma prateleira da loja, até que os vi (ou eles me viram?).

O estojo, onde guardo meus lápis de desenho, me lembra um outro que tive na infância. A cor e o reflexo da luz no couro são idênticos. Pelo menos, é o que diz a memória.

O lenço foi presente de uma senhora japonesa que conheci há muitos anos. Ela esteve em Nova Iorque e disse que se lembrou de mim quando viu o lenço. A estampa é um desenho de William Morris, artista de quem eu não sabia que iria gostar um dia.