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terça-feira, 27 de agosto de 2013

O sul de Camille Claudel


Minha querida Henriette, 
Eu lhe escrevo de longe. Desde que fui tirada de casa pela janela, tentei muitas vezes me comunicar. Mas sou vigiada dia e noite como uma criminosa. Fui internada em Ville-Évrard. Depois, fomos trazidos para Montdevergues, perto de Avignon. Imagine como sofri desde que fui tirada do meu ateliê, trancada nestes lugares horríveis. Paul mandou avisar que vem no sábado. Espero sair daqui um dia. Tudo de bom, cara Henriette, para você e seus queridos filhos. Camille Claudel, em Montvergues, perto de Montfavet.
Camille Claudel 











O sul de Camille Claudel, 1915 não é o sul bucólico e acolhedor das paisagens estivais, dos campos de lavanda e dos tapetes de trigo ao sol, dos pratos coloridos. Pelo contrário. É árido, frio, escuro e castigado pelo mistral. Os sons que chegam são gritos, berros, urros. Ela está cercada de pedras por todos os lados. Não há porta de saída. O sul de Camille é uma prisão.

Impossível não pensar no sul de Van Gogh. A cama, a escrivaninha, a cadeira, a janela estão lá. O pátio da antiga clausura, as colunas, as paredes e os bancos de pedra, as árvores, o jardim, a diligência à espera da hora de partir. Paul vem de Tarascon. A irmã o espera.

A Camille de Juliette Binoche tem o rosto vincado, cansado, sofrido. A força está unicamente em seu olhar. É com os olhos que ela diz o que está sentindo. Ninguém ouve.

Alguns textos interessantes:

Camille Claudel e os limites da loucura

Para Juliette Binoche, 'arte e loucura não caminham juntas'

Camille Claudel e a educação pela pedra

Camille lê o trecho da carta a Henriette aqui.


Fotos: ADC

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