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quarta-feira, 21 de março de 2012

Bossa nova

Outro dia, minha mãe, que adora bossa nova e é fã de Nara Leão, me perguntou se eu conheço uma cantora chamada Lisa Ono. Eu já tinha ouvido falar da cantora e sabia que ela, embora brasileira, é mais conhecida no exterior. Principalmente no Japão, onde a MPB, em especial a bossa nova, é um dos gêneros musicais mais tocados e amados e é sinônimo de bom gosto e sofisticação.

A pergunta da minha mãe me fez repensar um assunto que sempre me fascinou: o olhar (e/ou o ouvir) estrangeiro. Fazendo uma pesquisa rápida de livros sobre bossa nova, percebi que o pouco que se publicou em português já foi traduzido para o inglês, francês, japonês etc. Isso sem levar em conta textos de encartes de CD's e artigos de revistas e outras publicações especializadas em música escritos originalmente em língua estrangeira. Querendo saber mais, descobri que um dos poucos livros sobre o assunto com textos e fotos é de um autor francês.


Ou seja, a MPB, em particular a bossa nova, tem uma sonoridade - e indo mais longe - um significado diferente e especial aos ouvidos estrangeiros. A tão famosa "musicalidade brasileira" é, para um estrangeiro, algo que o fascina, que o instiga - mais até do que a nós, nascidos e criados em meio a essa "musicalidade" toda e a cujos ouvidos, já tão acostumados, ela nem soa tanto como música. Como disse o poeta alemão Novalis, "tudo a uma distância vira poesia". Para nossa sorte e por uma feliz coincidência, além de Lisa Ono, Fernanda Takai gravou, há alguns anos, canções de Nara Leão e até uma versão, em japonês, de O barquinho.

Falando em bossa nova e enquanto escrevia este texto, me lembrei de uma amiga carioca que ama MPB e, mais ainda, Tom Jobim, e acho que ela vai gostar dessas capas das edições japonesas do livro Chega de saudade: a história e as histórias da bossa nova, de Ruy Castro, e Nara Leão: uma biografia, de Sérgio Cabral.


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