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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O início

Quando termino de escrever um livro sofro uma espécie de morte. (...) Demora para a vida, com todo o seu esplendor, ressurgir diante de meus olhos. (...) É um vazio imenso, só comparável ao que sinto quando começo a escrever outro. Essa experiência é a mais solitária de todas, porque só você está lá, diante da página em branco, e só você pode preenchê-la.
Ernest Hemingway

Começar um livro novo é se defrontar com o deserto. (...) É o encontro do autor com a alma, não com o corpo do livro. O corpo vem depois, nas páginas seguintes.
Marguerite Duras

O escritor se senta diante da página em branco, pronto para escrever, disposto a ordenar em frases e parágrafos os personagens e situações que surgem em sua mente, para minutos depois se levantar, inquieto com o vendaval de idéias e informações. Um turbilhão de vozes e imagens que o fazem andar pela casa, esbarrar em cadeiras, arrumar envelopes, abrir e fechar livros, para em seguida voltar ansioso à mesa e à página que o espera. Ritual que se repete incessantemente durante o dia, até as primeiras palavras assentarem enfim no papel.
Sobre Ítalo Calvino

A cada livro que escrevo cresce em mim a certeza de que é justamente essa tortura, de não saber o que virá adiante, nas próximas páginas, ou até mesmo nas próximas linhas, que mantém a vitalidade e o frescor da escrita. Sou eu que escrevo, mas, apesar disso, sou eu que parto em busca da realidade inventada por mim mesmo, e não ao contrário. Sempre volto às primeiras páginas quando fico sem inspiração, ou quando começo a me repetir. É a realidade que criamos, e pensamos que dominamos, que, na verdade, nos domina.
Gustave Flaubert

Quando passo da primeira página, tenho a certeza de que não sobreviverei às outras, porque sei de antemão o trabalho exaustivo que será, diariamente, tirar água de pedra, tornar concreto e palpável o que não passa da ilusão mais pura. Mas, ainda assim, persistirei e levarei a cada página os sustos e riscos da primeira, vou chorar e rir a cada descoberta, e cada nascimento e morte nesse livro será uma parte de mim que vive e morre também, como se eu nada soubesse de antemão sobre a história e a vida daquelas pessoas, como se cada momento fosse desconhecido e novo, e exigisse de mim também o desconhecimento e a novidade.
Anônimo
Fonte: Claudia Lage (Jornal Rascunho)

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