terça-feira, 22 de julho de 2014

A Bahia mora em mim - Parte 3





Encerrando o feliz ciclo "A Bahia mora em mim" com um bolo cremoso de mandioca com cobertura de coco caramelado. Será que Jorge Amado, Gabriela e Seu Nacib aprovariam?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A Bahia mora em mim - Parte 2








Pai. Visita. Conversas. Chá verde. Sukiyaki. Yayoi Kusama. Sábado. Seleção alemã na Bahia. Mãe. Japão. Telefonema. Schumann. Brasil. Coração. Cabeça. Praia do Forte. Minhas fotos preferidas (clique para aumentar). A Bahia mora em mim.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Bahia mora em mim - Parte 1








Tudo começou em dezembro de 2008. Tinha acabado de voltar de uma viagem a Salvador com o peito tão cheio de emoções, sentimentos, inspirações, impressões que mal cabia em mim de algo que eu não sei o que é até hoje (felicidade, imaginação?). Mas o que eu não sabia era que essa viagem ainda não tinha acabado, e hoje tenho certeza de que não vai acabar nunca. Assim são as verdadeiras viagens: elas começam antes do início e vão além de qualquer fim.

Seis meses depois, no dia 27 de junho de 2009, finalmente mandei a uma pessoa querida um texto em que tentava descrever e contar o que foram essas coisas todas (ou, ao menos, uma parte delas) que, se já existiam em mim, eu não sabia.




27 de junho de 2009

J.,


Este "postal", depois de meses viajando pela minha cabeça, finalmente chega até você.

Quando começamos a planejar a viagem não tinha a menor idéia da geografia “oficial” da cidade. Na minha cabeça, a famosa igreja do Bonfim ficava no alto de uma ladeira do centro histórico, ou seja, no “bairro” chamado Pelourinho, e sua escadaria parecia não ter fim.

Meses antes, achei, por acaso, uma pousada muito simpática e acolhedora na internet. O ambiente e a paisagem em volta denotavam um ar sereno e bucólico, típico de lugares onde os anos parecem não querer passar. No alto de um morro, de frente para a baía de Todos os santos e a duas ladeiras do largo do Pelourinho. E a alguns passos do antigo convento do Carmo, hoje também pousada, e da igreja homônima – nesse instante, acabo de fazer uma associação entre a ladeira do Carmo e a ladeira de São Bento, no Rio (guardadas as devidas proporções). Imagine o Rio sem a Perimetral, sem o Santos-Dumont, sem a ponte Rio-Niterói, sem o píer da praça Mauá. Tudo do alto e de frente para a baía da Guanabara.  

J., nem preciso dizer que, no meu mapa sentimental da Cidade da Bahia, o Carmo é a maior referência. Para você ter uma idéia, os arredores da rua homônima concentram o maior número de casarões coloniais habitados da cidade, com suas fachadas coloridas, janelões, portas e piso de madeira e vista para a baía de Todos os Santos. Muitos deles foram transformados em pousadas“de charme”, pequenas e bem cuidadas, e tiveram sua arquitetura original preservada, restaurada, redescoberta. Outros servem de residência.
Por falar em surpresas, a maior delas foi o meu encontro comigo mesma como em nenhum outro lugar do mundo. No "berço" de todas as cidades e de toda história e memória de que fomos e continuamos sendo feitos, eu me "descobri" filha legítima (e não "postiça") desta Terra brasilis. Para quem cresceu se perguntando (e ainda se pergunta) o que é ser brasileira – de olhos puxados, nome esquisito, sotaque carioca e que vivencia algo que ultrapassa o conceito de nacionalidade, identidade, país, origem, tradição – foi, literalmente, uma descoberta. Lá eu deixei, para mim mesma, de ser a "filha de japoneses nascida no Brasil" e passei a me ver, simplesmente, como "brasileira". Tanto que quero viver e envelhecer como a dona Canô, com quem sonhei, do nada, algumas noites antes de embarcar para a Bahia.

Outra experiência fascinante em Salvador foi ver, in loco, o trabalho do fotógrafo francês Pierre Verger na cidade que ele tanto retratou e amou. Mas o melhor de tudo foi descobrir que o porto de Salvador foi a primeira parada, em terras brasileiras, do navio que trouxe o meu pai do Japão, em 1959. O próprio Verger tinha estado na terra do sol nascente em 1934, e parte do registro fotográfico dessa sua viagem foi reunida na exposição O Japão de Pierre Verger: anos 30, em homenagem aos cem anos da imigração japonesa no Brasil. Coincidentemente, a câmera que mais usei em Salvador foi do meu pai.

J., vendo as fotos do Verger e imaginando a Salvador que o meu pai viu, comecei a fazer um paralelo entre as impressões dele e as minhas, entre presente e passado. O que terá passado pela cabeça dele ao andar por aquelas mesmas diferentes ruas que eu, naquele momento, estava percorrendo? Eu também fiquei imaginando Kafka viajando, como eu aos 13 anos, pelo interior da Bahia na caçamba de uma F-1000 (modelo bem antigo de picape) com seis crianças. Ele teria percorrido uma boa parte do Estado (do sul ao oeste) e atravessado o rio São Francisco, dormido em acostamento de rodovia e em estacionamento de posto de gasolina. Ele teria visto a pobreza, a miséria, a realidade nua e crua dos povoados e cidadezinhas do sertão, gente esperando, pela manhã, pelancas de frango nos fundos de um restaurante. Talvez ele tivesse pirado diante de tantos contrastes, já que a Bahia é a "terra da alegria". Talvez o Cartier-Bresson também. Eu fiquei imaginando que fotos ele teria tirado se tivesse andado por lá.

(...)


Em 30 de maio deste ano, ou seja, há exatamente um mês, deixei um rolo de filme para revelar com um laboratorista que conheci há anos e que, para minha surpresa, continua atendendo no mesmo endereço. Ele é um dos poucos que ainda fazem o trabalho manualmente. A única coisa que eu lembrava é que o rolo era de filme em preto e branco.

Três semanas depois, após tentativas adiadas pela greve do metrô e por compromissos, finalmente fui buscar as fotos. Chegando em casa, não acreditei no que vi. No mesmo instante, tudo aquilo que outrora senti no peito voltou, com a mesma intensidade, a mesma energia, como se nunca tivesse saído de lá. Era como se eu estivesse na Bahia de novo. Como isso era possível? A Bahia estava e sempre esteve em mim. Não sou eu que moro na Bahia, mas é a Bahia que mora em mim.

Eu queria postar essas fotos desde o dia 20, mas não conseguia. Queria escrever alguma coisa, e nada. Hoje, dia 30 de junho de 2014, relendo o que tinha escrito sobre a viagem à Bahia, me espantei com a data: 27 de junho de 2009. Cinco anos depois (J.!), aqui estão as fotos que tirei em dezembro de 2008 com a Pentax do meu pai, que chegou à Bahia em um dia de julho de 1959, vindo do outro lado do mundo. E continuo imaginando que fotos ele, Pierre Verger e Cartier-Bresson teriam tirado com ela.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

À tarde





Feriado. Tarde. Sol. Casa. Rua vazia.
TV ligada. O mundo é uma bola e ela estava em São Paulo.
Verde e amarelo são as cores. Azul do céu de outono.
Mesa colorida. Um clássico brasileiro? Cafezinho com bolo de cenoura quentinho.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

domingo, 1 de junho de 2014

Em algum ano passado












Elevado Presidente Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão.

Fotos de algum ano passado em rolos de filme revelados na semana passada.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

sábado, 24 de maio de 2014

Berlim, Berlim













Acho que lembrei onde é o meu antigo endereço em Berlim. Mais aqui e aqui.

Não me canso de ouvir esta trilha sonora.

Hoje foi dia de Maifest. O restaurante onde almoçamos foi montado no meio da rua. Bem ao lado, apenas uma lona nos separava do público em frente ao palco principal. Caía uma chuva fina. Um grupo dançava ao som de música folclórica. No prato, Eisbein, Sauerkrat e Kartoffelnsalat; no copo, chopp escuro e no coração, a sensação de estar no meio de uma festa de rua em Munique.

Fotos: Celeste Sunderland (Apartment Therapy)