sexta-feira, 18 de abril de 2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Interior





Estrada vazia, montanhas, curvas. Chegamos a uma cidade e fomos guiados apenas pelo som de piano vindo de um sobrado. A porta está entreaberta. O jovem professor interrompe a aula e nos recebe com um sorriso aberto. Andamos na praça e damos de cara com uma casa que me faz pensar, na mesma hora, em Jorge Amado. Em um casarão centenário na mesma praça, que funciona como loja, ateliê e moradia, conversamos com o dono como se fôssemos velhos conhecidos. Saímos de lá carregando um tijolo recuperado de uma construção do século XIX. Nele, há uma reprodução de um quadro representando a anunciação. É como se fosse uma ruína de uma catedral gótica e em cuja superfície há um detalhe de um afresco. Deixamos a cidade com a certeza de que voltaremos.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

domingo, 30 de março de 2014

Notas de outono

 





Nasci no hemisfério sul, onde é primavera em novembro, mas o poema, o quadro e as cores que mais amo remetem ao outono, que, como não podia deixar de ser, é a minha estação do ano preferida.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Hiroshige ou da delicadeza









Delicadeza, cuidado, amor ao detalhe. A beleza que se manifesta, na sua essência, no gesto. No dar e no receber. Tantos significados e nenhuma palavra. Silêncio. Simplicidade. Elegância natural.

Ah, Taschen... Uma das minhas editoras preferidas desde sempre. Esta edição tinha que ser sua.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Chuva

 
Vincent van Gogh (1853-1890), The Bridge in the Rain (after Hiroshige), 1887
 



Ando Hiroshige (1797-1858), Evening Shower at Atake and the Great Bridge, 1857



Há exatamente uma semana: contemplando a chuva pela vidraça da janela de uma biblioteca, enquanto folheava dois livros (Hokusai and Hiroshige e Japonisme: the Japanese influence on Western art since 1858). Quando saí do prédio da biblioteca, já era escuro. Vi o reflexo da luz amarela das lâmpadas de um café nas poças d'água ao longo do caminho até o portão que dava para a rua. Algumas pessoas conversavam. Acho que Van Gogh teria gostado disso.

Hoje: contemplando a chuva pelo vidro da janela do escritório, em companhia de C. (confortavelmente instalada em sua poltrona cor de goiaba) e ao som do Concerto para violino e orquestra, op. 61, de Beethoven.

Depois que vi, adolescente, essas duas imagens pela primeira vez, nunca mais as chuvas foram as mesmas. "Como pode a chuva ser tão bela?", devo ter me perguntado. Desde então, para mim, chuva virou sinônimo de beleza, de contemplação. Além de continuar me fazendo a pergunta, fico imaginando de onde Hiroshige viu a paisagem que imortalizou e que terminou por imortalizá-lo. Perguntas, sempre perguntas...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A memória do objeto



Cada objeto traz consigo uma história, um passado. Gosto de imaginar o lugar de onde veio o objeto, por onde passou, com quem esteve, como são seus dias. Em um primeiro momento, penso que sou eu que o escolhi dentre outros, mas, depois, começo a achar que foi ele quem me escolheu.

A xícara de café e o pires são as lembranças, materializadas em argila, de uma visita a um ceramista japonês logo depois do ano novo.

Os cadernos estavam ocultos pela sombra da parte de trás de uma prateleira da loja, até que os vi (ou eles me viram?).

O estojo, onde guardo meus lápis de desenho, me lembra um outro que tive na infância. A cor e o reflexo da luz no couro são idênticos. Pelo menos, é o que diz a memória.

O lenço foi presente de uma senhora japonesa que conheci há muitos anos. Ela esteve em Nova Iorque e disse que se lembrou de mim quando viu o lenço. A estampa é um desenho de William Morris, artista de quem eu não sabia que iria gostar um dia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

2013 terminou assim...



Piquenique na sala, chá da tarde, conversas deliciosas, Proust... Literalmente devorei o livro e não vejo a hora de fazer madeleines...

sábado, 25 de janeiro de 2014

Alguma coisa sempre acontece no meu coração










Que bate feliz, ora tranquilo, ora acelerado, sempre apaixonado pela cidade que adotei (ou foi ela quem me adotou?). São Paulo de 460 anos, de 460 caras, de 460 cores, de 460 histórias, que amo cada dia e cada vez mais!

Fotos em filmes Ilford, Fuji, AGFA, Kodak e Konica, tiradas com câmeras Pentax e Minolta entre 2007 e 2008

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Andanças



. Visita (mal-sucedida) ao circuito de sebos da Teodoro Sampaio e da Pedroso de Morais. Primeiro: o livro que eu pensei estar na loja da Teodoro estava na loja da Pedroso, sendo que eu já tinha cruzado a avenida subindo a Teodoro. Tive que fazer todo o trajeto de volta e mais um tanto. Segundo: na Pedroso, além de descobrir que a edição/tradução não era a que eu queria, fui obrigada a ouvir algo do tipo "mas é tudo a mesma coisa."

. Como quase nunca vou para aqueles lados da cidade, arrisquei caminhar pelo bairro. Vi alguns predinhos antigos habitados e preservados e gostei. Meu destino era o outro lado da avenida Rebouças. Tentei ignorar o calor como pude e, assim que entrei na loja da Granado, fui direto até os frascos de água de colônia. A loja é bem menor do que eu imaginava, mas achei o que queria: uma lata com sabonetes lindamente embalados que vou dar de presente a uma amiga de 87 anos.

. Apesar de me sentir um camelo no deserto, respirei fundo e andei até o laboratório para buscar todos os exames que a minha médica pede uma vez por ano. Num café da rua Augusta, pensaram que eu fosse estrangeira e me roubaram no troco da água mineral (como se o preço dela já não fosse um assalto e eu não me sentisse, de fato, uma estrangeira naquela parte da cidade). De tanto calor, confesso que, se o laboratório não ficasse a uma quadra do finzinho da avenida Brasil, eu teria seguido adiante e me atirado no primeiro lago do Ibirapuera.

. Eu teria ido embora para casa se não fosse uma coisa: o livro. Quando dei por mim, estava em uma loja da Liberdade, com a edição da Zahar que eu tanto queria na sacola, um pacote de soba (tipo de macarrão japonês) em uma mão e, na outra, um saquinho de gergelim branco.

. Por falar em macarrão japonês, o almoço de hoje não podia ser mais apropriado: somen (tipo de macarrão, mais fininho) gelado, com caldo feito em casa e acompanhado de pepino, ovo, rakkyo (cebola chinesa em conserva), shoga (gengibre) em conserva, cebolinha, nori e gergelim branco.

. Na saída do metrô para casa, fui guiada pelos ouvidos e tive uma visão linda: cinco adolescentes músicos (três violinistas e dois violoncelistas) tocando música barroca sob a marquise da estação. Preciso dizer mais?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Hoje



. Onigiri com umeboshi, gergelim preto e nori

. Tempura de batata doce com molho feito com shoyu e suco de limão

. Quiabo frito e mergulhado em molho caseiro feito com shoyu, saquê, vinagre de arroz e pimenta-do-reino

. Filezinho de peito de frango grelhado

. Pepino acompanhado de umemissô

. Tomates cereja

Ontem



. Gobo (bardana) refogado com cenoura e kanpyo (cabaça)

. Filezinho de peito de frango grelhado, brócolis e milho verde cozidos e grelhados no caldo do frango

. Arroz com mistura de pedacinhos de wakame (algas), verdura e peixe seco e com gergelim preto

. Salada de escarola, tomate, rabanete e cebola temperados com suco de limão, azeite de oliva, vinagre balsâmico, pimenta-do-reino, sal e shoyu

. Mugicha (chá de cevada) gelado

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

本日のメニュー



Cardápio do obentô {marmita} do marido e do meu almoço de hoje, feitos de manhã cedinho:

. Onigiri {bolinho de arroz japonês} com wakame {alga}, verdura, gergelim branco e nori {alga seca}

. Umeboshi {ameixa salgada em conserva}

. Shiitake {cogumelo}, kanpyo {cabaça}, tsukemono (picles) de nabo, pepino e horenso {espinafre japonês} com katsuobushi {peixe bonito em flocos} e shoyu {molho de soja}

. Berinjela japonesa grelhada com umemisso {massa de soja com ume, ou ameixa}

. Endo {ervilha torta} grelhado no shoyu


本日のメニュー {honjitsu no menyu} = cardápio de hoje

sábado, 18 de janeiro de 2014

Verão





 
 
2014 começou assim: saudando uma tarde de verão, contemplando a beleza de cores e formas e apreciando a delicadeza de ingredientes, sabores e gestos com makizushi (ou futomaki) feito em casa e mugicha (chá de cevada) gelado em copo de cerâmica. Comida para o corpo e para a alma. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013